Ana Carolina Alves
RIO - Uma das grandes vantagens da internet tem sido o não-esgotamento de soluções criativas para atrair mercado e gerar lucro. À primeira vista, pode parecer estranho ou, no mínimo, curioso, mas já estão em operação, há menos de um mês, os primeiros provedores de acesso grátis à Rede que pagam seus usuários por tempo de navegação.
Este pode ser o nascimento de uma nova tendência no que diz respeito ao acesso discado à internet. Depois do provedor pago e do gratuito, nada mais previsível do que a "internet que paga". Longe do charlatanismo, um dos responsáveis pela implementação dessa novidade - através do Dollar (www.dollar.com.br) -, Lupércio Amaral Júnior, sócio da Rede Mundial, explica que não há mágica alguma no fato de o provedor ser gratuito e ainda pagar aos usuários por tempo de conexão.
"Não estamos tirando nada do bolso. Nossa empresa detém um mercado de 25 provedores de acesso grátis à internet. Temos acordos com companhias telefônicas que nos repassam parte da receita obtida conforme o tráfego de minutagem. Apenas estamos transferindo cerca de 60% ou 70% dessa receita aos usuários que completam o mínimo de 300 horas de navegação", justifica Amaral.
O funcionamento é simples. O usuário acessa a internet através de um discador e acumula horas de navegação. Após um tempo determinado de conexão, que varia de um provedor para outro, o internauta recebe um depósito em dinheiro diretamente em sua conta. O tempo de conexão pode ser acumulado, como no caso do provedor Dollar, por até 12 meses e o usuário ainda pode acompanhar sua situação através do serviço de extrato diário oferecido pelo site.
Uma das empresas pioneiras do novo modelo no Brasil, a Orolix (www.orolix.com.br) desenvolveu a estratégia com algumas modificações. "O internauta que utiliza banda larga também pode lucrar indicando usuários de dial-up. Cada indicado que acessar a internet através do nosso discador acumula horas a serem convertidas em dinheiro. Cerca de 20% dos ganhos vão para quem indicou", diz o gerente do grupo no Brasil, Nagib Mimassi.
A receita dos provedores vem dos repasses das companhias telefônicas, além dos lucros com publicidade e parcerias com sites. "A Orolix foca a prestação de serviços e a fidelidade dos clientes, que são considerados parceiros", acrescenta o sócio-diretor da empresa, Índio Brasileiro Guerra Neto.
Com o slogan "Dollar – a internet que paga para você navegar", Lupércio Amaral Júnior enfatiza que o diferencial de seu novo investimento é que "todos os usuários ganham". No caso de outros provedores, como o Gigafree (www.gigafree.com.br), há sorteios de prêmios para aqueles que contabilizam mais tempo de navegação. "Com o Dollar, todos são recompensados com uma quantia em dinheiro depositada na conta", compara.
Com tecnologia digital, que possibilita um sistema mais veloz e estável, os provedores ainda oferecem serviços de e-mail, anti-spam e anti-vírus gratuitos. "Vamos expandir nossa caixa postal de 25Mb para 250Mb nesta semana", afirma Nagib Mimassi, acrescentando que, até setembro, a Orolix pretende ampliar seus serviços para os usuários de banda larga dos Estados Unidos.
Empresas como a Orolix e a Dollar, além de outras como a CresceNet (www.cresce.net), deram a largada para a terceira geração de provedores de acesso à internet. A novidade promete mudanças substanciais na tecnologia e na prestação de serviços online. Para Índio Guerra, da Orolix, o mercado em expansão suporta a concorrência. Mas será que essa nova moda vai resistir ao avanço da banda larga, com conexão mais rápida e independente da linha telefônica?