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Rio, 25 de julho de 2005 Versão impressa
Conexão gratuita e com qualidade? Será possível? Parece que, agora, sim


O Dollar.com.br começou a operar em abril e já pagou os primeiros internautas pelo tempo de conexão. Sempre que atingir 300 horas de conexão, o usuário cadastrado recebe, em conta corrente, R$ 50, além de levar email e antispam.

— Só aproveitando os horários de pulso único — de madrugada e aos sábados e domingos — já é possível atingir as 300 horas — diz Lupércio Júnior, diretor do Dollar.com.br.

Se é mesmo tudo de bom, por que muita gente ainda desconfia da conexão gratuita e mais ainda da internet gratuita que dá prêmios? Usando aquele dito popular “quando a esmola é demais, o santo desconfia...”

— Tem gente que ainda fica receosa. Mas a questão é que neste caso não existe milagre. Nós também ganhamos com o serviço — completa Júnior.

Tem gente que nem precisa ficar conectado 300 horas para tirar uma grana extra. O músico carioca Pedro Guilherme Teixeira Corbett acabou de receber do Orolix, outro provedor que paga pela conexão, um suado cheque de R$ 1 mil, sem ter sequer usado o serviço, já que é assinante de banda larga.

Pedro decidiu usar as 500 comunidades das quais participa no Orkut e sua mail list para lucrar com o Orolix, já que o provedor também paga pelo número de usuários convidados.

— Passei umas duas semanas trabalhando com os anúncios no Orkut e usei também os meus sites, que recebem uma boa quantidade de acessos — diz Pedro, que amealhou 1.200 convidados.

Orolix registra crescimento de 10% por semana

O primeiro cheque recebido foi de R$ 1.146, mas Pedro já tem mais de 280 mil “Oros” (a moeda corrente do Orolix) acumulados, o que lhe dá direito de receber um total de R$ 2.800. Cada Oro equivale a um centavo de real. No caso de Pedro, ele lucrou os Oros com a navegação de seus convidados: ganha 20% dos Oros acumulados de cada um.

— Estamos crescendo aceleradamente, em média 10% por semana — diz Nagib Mimassi, sócio-diretor do Orolix. — É possível, sim, ganhar dinheiro com internet gratuita. Nossa diferença é que a gente divide o lucro com os usuários. Não precisamos ser egoístas. Os usuários têm que ser tratados com carinho, não como um mal necessário.

Se o carinho vier sob a forma de serviço bem prestado, melhor. Vale a pena lembrar que a maior parte dos provedores de internet gratuita não fornece serviço de atendimento ao cliente nem call centers. Alguns até atendem por email, mas no geral as respostas são esparsas.

— Uma das nossas economias, para continuar oferecendo o serviço, é não pagar pelo call center — diz Mimassi, lembrando o caso da companhia aérea que opta por oferecer preços menores deixando de gastar em serviço de bordo.

O mais recente provedor a investir nas premiações para atrair assinantes é o InteligWeb. O provedor também criou moeda própria (o “Piii”) e paga ao internauta cadastrado no Programa Piii R$ 0,46 por hora de conexão através de seu discador. O valor acumulado é convertido em “Piiis” e pode ser trocado por produtos nos sites Submarino, Americanas.com, nas redes de cinema Cinemark, na C&A e nas redes de supermercados Extra/Pão de Açúçar. Cada Piii equivale a R$ 1.

O provedor da Intelig, que espera alcançar 80 mil usuários no primeiro mês, já chega a 200 localidades e também oferece email, disco virtual, blog, fotolog e álbum de fotos.

O iBest, que tem hoje mais de 1,6 milhão de usuários cadastrados, prefere não investir em premiações. Com uma posição confortável no mercado, que lhe garante maior retorno em publicidade, o provedor gera 1,2 bilhão de minutos de tráfego telefônico mensal, ou seja, dá um bom lucro para a Brasil Telecom, que o controla.

— Não há mistério. Somos revendedores de tráfego telefônico. Quanto mais tráfego eu gerar, mais eu ganho e mais a operadora ganha. O provimento gratuito foi uma maneira de fazer transferência de valor das operadoras para o usuário final — diz Alexandre Barreto, diretor do iBest— Cada usuário do iBest gera entre 900 e 1.000 minutos de conexão por mês. Imagine quanto isso vale.

Além do acesso gratuito, o iBest também oferece acelerador de conexão (por uma taxa de R$ 8,90 mensais), disco virtual, álbum de fotos e email com 250Mb de espaço. O suporte telefônico também é pago — o pacote de três meses sai por R$ 6,99/mês.

Embratel e Telemar também investem em acesso grátis

Tendo como base a infra-estrutura da “mãe Embratel”, o provedor gratuito Click 21 também resolveu apostar na premiação para garantir mais usuários, só que por tempo limitado. O provedor lançou a promoção “Mergulhou, ganhou”, em parceria com o Submarino. A cada 30 horas no mês conectado à internet usando o discador do Click 21, o participante ganha um vale-presente do Submarino no valor de R$ 10. O número de horas acumuladas pode ser consultado no extrato disponível no site. O internauta também ganha com a indicação de amigos: cada um rende um bônus de 50% no valor do vale-presente.

Além de email com 1Gb, antivírus e corretor ortográfico, o usuário do Click21 também tem direito a acelerador de conexão gratuito que, diz Jorge Braga, diretor executivo de Longa Distância de Internet/Click21, aumenta em até 10 vezes a velocidade de conexão, além de suporte telefônico. O provedor está hoje em 2.800 localidades.

— A experiência do usuário de dial up com o acelerador é muito próxima à do usuário de banda larga entry level — diz.

Segundo Jorge Braga, só com a franquia paga à operadora de telefonia, o assinante banca os pulsos com a internet gratuita.

— Nossos estudos indicam que só 20% dos assinantes de telefonia fixa usam os 100 pulsos a que têm direito na franquia. Para 80% dos assinantes, navegar pode sair de graça.

Para os usuários do Oi Internet, que ultrapassou a marca de 600 mil cadastrados, 31% dos valores gastos com pulsos de conexão são devolvidos em forma de crédito. Quem baixar o discador também ganha contas de email ilimitadas (cada uma com 1Gb de espaço), página pessoal com 60Mb, blog e fotolog.( EM )

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